3 de mar. de 2014

O lado do Romarinho

    Não é uma defesa; não sou fã n° 1 dele (nem 2, nem 100, nem 10 mil). Nem vou falar diretamente sobre ele. É mais uma geral no que vem acontecendo com o Corinthians neste ano, como reflexo de acontecimentos do ano passado. Ele é apenas um personagem.

    A verdade é que ele vem jogando bem nesses últimos jogos. Não foi só ele que melhorou. Não foi por mudança tática mirabolante do Mano, que muitos já queriam que fosse demitido há algumas semanas. Talvez os mesmos que chamavam o Tite de burro e hoje em dia estão começando a perceber o que o Adenor fez pelo Corinthians. Agora é tarde.

    Culparam o Tite e somente o Tite por um semestre que seria perdido por completo não fosse o título da Recopa e um ou outro jogo apresentável. Agora estão culpando o Gobbi – sem – palavra que prometeu apoiá-lo e disse que ele seria o técnico enquanto ele fosse o presidente, sendo que já estava acertado com o Mano desde a eliminação na Libertadores 2013. O Tite não contratou Ibson, Maldonado e outras tranqueiras; o Tite formou, após o episódio Tolima, um time operário, sem estrelas, onde todos sabiam fazer o simples e o faziam com maestria. Todo mundo corria, marcava e se dedicava ao extremo por um bem comum. E o bem comum veio de forma irretocável nas temporadas que se seguiram. Aí o Gobbi disse que “atendeu à torcida” mandando o Tite e alguns jogadores embora. Alguns já foram tarde mesmo, nem deveriam ter vindo.

    Mas o Gobbi não é o único vilão da história. Brigas em arquibancadas, invasão em CT, violência contra pessoas que proporcionaram dias de tanta felicidade pra todos nós. Os vândalos também têm culpa. Vândalos, sim; torcedores, não. Não dá pra colocar essas pessoas no mesmo patamar de pessoas que realmente amam o Corinthians. São/foram covardes e merecem pagar pelo que fizeram (cabe ao Sr. Mário Gobbi descobrir por onde andam todas as imagens da invasão para que a polícia faça sua parte e ponha todo mundo no lugar que eles merecem). Muitos reincidentes estão no meio. Muitos dos que deram prejuízo ao Corinthians, que dizem amar tanto. Não amam. Quem ama não comete esse tipo de crime.

    Mas os vândalos não são os únicos vilões da história. Tem claramente alguém dentro do clube que compactuou com tudo isso, facilitando a entrada deles no CT, ocultando as imagens das câmeras de segurança. Esse “alguém” é tão vândalo quanto ou até mais que os invasores.

    Mas esse “alguém” não é o único vilão da história (apesar de ser o maior). Uma série de erros da direção instalou novamente no Corinthians a bagunça que há anos o Andreas mandou embora. Falta de comando, disputa pelo poder e muitas outras coisas.

    Mas a direção não é a única vilã da história. Desde o segundo semestre do ano passado o time parou em campo. Passou os últimos tempos se arrastando em campo. O estrelismo falou mais alto. Aí é que entra o nome mais falado desse ano, envolvido em uma troca inesperada com o rival São Paulo por um jogador que aparentemente estava encostado por lá. A princípio, a troca parecia péssima – ao menos pelo lado financeiro.

    Desde a chegada do Pato, todos os olhos, lentes e flashes se voltaram exclusivamente pra ele. E ele não tem culpa nenhuma nisso. Chegou como grande estrela, caríssimo. Foi depositada nele uma expectativa que ele não correspondeu. Nisso ele tem culpa; não por deixar de fazer gols, mas por deixar de se esforçar, deixar de correr. A postura dele tem que mudar pra que ele possa voltar a brilhar. Já ficou claro que o problema não é mais físico, visto que as lesões graves o deixaram em paz. O comportamento dele unido ao ego ferido de nomes importantes do elenco fez com que a equipe apresentasse um rendimento pífio. É simples de entender: “se ele não corre, pra que eu vou correr por ele?”.

    Aí que entra o Romarinho na história. O Ralf também. Romarinho, mesmo não sendo tecnicamente brilhante, desenvolveu seu lado tático graças ao Tite, tornando-se indispensável taticamente. Corria e marcava por ele e por quem mais estivesse jogando com ele. Até porque os outros faziam mesmo por ele.

    Chegou um ponto no ano passado que os únicos jogadores que corriam eram Gil, Ralf e Romarinho. Os demais só observavam. O tempo foi passando e esses três ficaram totalmente sobrecarregados e exaustos fisicamente. Foi quando o Romarinho caiu de rendimento e todo mundo caiu matando em cima dele. Depois, o Gil. Só o Ralf se manteve. Um correr por 11 é um pouco demais. Fora as lesões de jogadores como Cássio e Guerrero.


    Agora, sem Pato e com Jadson, coincidentemente (ou não), o Romarinho voltou a jogar. E aparentemente o Romarinho ta com a visão do Hulk. Joga bem todo jogo. Vendo todos os adversários com uniforme verde. Por enquanto, o caminho é observar. Menos culpados e mais resultados. Menos invasões e mais torcedores. Menos “faladores” e aproveitadores e mais sossego. 

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