2 de out. de 2013

Brasileirão – E se fosse assim: Dança das cadeiras na área técnica.

Uma questão cultural. No Brasil, se algo dá errado dentro das quatro linhas, as primeiras cabeças a serem cortadas são da comissão técnica. Mais especificamente a do treinador. E essa constatação não é de hoje. De 2003 até 2012, somente em times da Série A, foram nada mais, nada menos, que 288 trocas! Isso mesmo amigos, 288!

O número assusta, é verdade. Mas desde 2003 esse número vem diminuindo. No primeiro campeonato por pontos corridos foram feitas 41 trocas, enquanto que no campeonato passado tivemos 18 trocas. Ao que parece, o “Brasileirão 2013” deve ultrapassar o número do ano passado. Até a 24º rodada, durante a qual esse texto foi escrito, já foram efetuadas 17 trocas de treinador. Estes números dão a entender que até a 38º rodada mais treinadores irão cair. A média de permanência de um treinador em um clube de ponta do brasileirão é de 1 ano e 3 meses. Número elevado graças às seqüências de Muricy no São Paulo e Tite no Corinthians.

Alguns treinadores são figurinhas bem repetidas quando a história é troca de técnico. Vanderlei Luxemburgo, por exemplo, de 2003 a 2013 já passou por 8 clubes diferentes da série A. Somente no Santos o treinador tem 3 passagens no período. Emerson Leão é outro técnico bem rodado no futebol brasileiro, 10 clubes diferentes foram treinados pelo ex-goleiro no período de 2003 a 2013, sem contar suas passagens pelo Japão e Emirados Árabes. Finalizando o jovem treinador Adilson Batista passou por 8 clubes da série A, sendo seu trabalho mais duradouro no Cruzeiro, de 2008 à 2010.

Na Europa, até o fim da temporada 2011-2012, o cenário chega a ser utópico, se comparado ao brasileiro. Alex Ferguson ficou a frente do Manchester United por 26 anos. Outro grande exemplo da longevidade européia é Arsene Wenger. O francês está no comando do Arsenal há 16 anos e 10 meses. Já David Moyes comandou o Everton por longos 11 anos. Saindo um pouco da terra da rainha e indo para a Alemanha, temos Jurgen Klopp a frente do Borussia Dortmund há 5 anos. Mas, no fim da temporada 2012-2013, a Europa “brazilizou”. Seja por aposentadoria, troca, ou demissão o velho mundo viu 11 alterações de treinadores. Nomes como José Mourinho, Pep Guardiola, Carlo Ancelotti e Rafa Benítez mudaram de ares.

Mas voltando às terras tupiniquins, uma pergunta é frequentemente feita: Há alguma forma de se evitar a troca de técnico no meio da competição? Sim, ela existe e se chama PLANEJAMENTO. Cartolas trocam de técnico, pelas mais variadas desculpas, e resultados. Mas ao demitir um treinador com menos de dois meses de trabalho é admitir que contratou errado. Se no inicio da temporada, comissão técnica e diretoria sentassem para planejar o ano, definissem os reforços, e calculassem os riscos, muitas das trocas não seriam feitas. Um “mapa” seria traçado para ser seguido por dirigentes e treinadores. Mas o que vemos é que há uma grande falta de ética no meio. Dirigentes especulando treinadores para temporada seguinte, tendo um empregado. “Professores” desempregados cavando vaga em clubes em má fase... Um festival de horrores, que todos os dias acontecem e vemos como normal. Não é certo dirigentes prejudicar seus clubes, demitindo dois a três técnicos por temporada, matando qualquer planejamento que possa existir. 

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