17 de out. de 2013

Ano perdido

Tricolores do Céu é da Terra, o ano de 2013 ficará marcado na História do Fluminense F.C. como o ano perdido.

Nosso desempenho foi abaixo da crítica em tudo que disputados: Carioca, Libertadores e Brasileirão.

No campo político, nosso presidente foi um desastre e deverá pagar a conta nas próximas eleições. Enquanto o Corinthians receberá um estádio padrão FIFA pago com dinheiro público, o Fluminense sequer conseguiu o terreno para a construção do CT. Enquanto o Flamengo conseguiu permanecer na Timemania e receber dinheiro público da CAIXA, o Fluminense fica refém do Celso Barros, que além de presidente da patrocinadora, é o verdadeiro presidente do Fluminense. É ele quem decide sozinho, quem será contratado, quem não renovará, quais os garotos da base que devem ser vendidos e quais podem ficar. É impossível gerenciar um clube com este nível de interferência. 
A Adidas fechou contrato com o Flamengo. Só tem material do Flamengo nas vitrines das suas lojas e o Fluminense aceita isso, passivamente. Não é possível que na última renovação de contrato, não tenham exigido uma cláusula de exclusividade no Rio de Janeiro. O Peter Siemsen é advogado. Presume-se que tenha estudado Direito ou, pelo menos, frequentado as aulas. E, o Fluminense, tem um assessor jurídico.
A diretoria foi inábil ao negociar com a Receita Federal. Errou, de cara, em não envolver a Imprensa e as torcidas organizadas, que deveriam fazer manifestações diárias e pacíficas na porta da Procuradoria Geral da Fazenda do RJ. Quando se manifestaram, foi muito tarde. Somente em 27/08. Menos de 100 pessoas e nenhuma bandeira da Young Flu, da Jovem Flu ou da Garra Tricolor. Vejam a reportagem do Lancenet em http://www.lancenet.com.br/fluminense/Funcionarios-torcedores-Fluminense-protestam-Procuradoria_0_982101923.html
Resumo da ópera: vendemos o Nem e o Thiago Neves, mas o dinheiro ficou bloqueado[1]. Existem rumores de que o W. Nem teria sido vendido por pressão do Celso Barros. É certo de que ele não queria ir. Ele só pediu para aumentar o salário dele. Nada mais justo. Quem paga 300 mil para o Felipe[2], poderia pagar 200 para o Nem, ou mesmo, os mesmos 300. O Nem estava numa fase ruim, mas a fase não perduraria para sempre. O Thiago Neves não estava jogando muito, mas, no ano passado cumpriu uma função tática primordial. Quando o Bruno ou o Carlinhos subiam e perdiam a bola, o Thiago voltava para apoiar na marcação dos flancos. Hoje, quando recuperamos uma bola, é chutão para frente e posse de bola para o adversário. No ano passado não era assim: quando os laterais, volantes ou os zagueiros, que por sinal estão exatamente no mesmo nível que estavam no ano passado, recuperavam uma bola, o Thiago Neves estava por perto para recebê-la. Ele, então, ligava corretamente com o Fred, Nem, Sóbis ou outro jogador em condições de puxar o contra-ataque. Foi assim que vencemos vários jogos. Mas, ninguém lembra o ator coadjuvante. Parece que ninguém percebeu, que o time titular é o mesmo do ano passado, com exceção das saídas do Thiago e do Nem. O Thiago foi mal aproveitado pelo Abel. Ao invés de colocá-lo como meia armador (o Deco não jogou a maioria dos jogos), foi escalado como meia atacante, no primeiro tempo pela direita e no segundo tempo pela esquerda. Tudo isso, com a obrigação de voltar para marcar. Aja fôlego, gente. O cara corria mais do que lateral.
Sem craques e sem dinheiro, sobrou a garotada de Xerém. Juntou a fome com a vontade de comer. O Luxemburgo nem precisa de negociatas espúrias típicas de sua carreira. Está tudo negociado com a diretoria e o Celso Barros. Os garotos da base são expostos nos jogos, alguém aparece e o Fluminense vende.
Não é assim que se faz as coisas. O certo é escalar no máximo dois jogadores inexperientes, de cada vez. Hoje, a esperança contra o rebaixamento está nos pés do Biro-Biro, Rafinha e mais alguns garotos.
Não poderia ficar de fora desta postagem o erro estratégico no planejamento de 2013.
Erraram ao manter o time todo. O ciclo do Euzébio, Anderson e também do Gum deveria ter sido encerrado no final do ano passado. Mesmo bicampeã, a zaga era muito questionada. Não atuou bem no ano passado. Se o Cavaliere não tivesse fechado o gol, não teríamos sido campeões, mesmo com o meio para frente sensacional que tínhamos. Três zagueiros tinham que ir embora. Ou os três acima citados, ou se colocava o Digão na barca e se mantinha o Gum como reserva. Dois zagueiros que saibam tocar a bola tinham que ter sido contratados. Erro crasso do Abel e do Caetano. Outros detalhes também precisam ser discutidos: 
1) Como podem preferir o Wagner ao Martinuccio? Hoje, no 3-5-2 o Martinuccio seria o cérebro do time. O Wagner não mostrou condições de jogar como armador. Hoje, o Fluminense não tem armador.
2) Não deveriam ter aceito o apelo do Fred para renovar com o Diguinho. Na ocasião, eu até achei que era válido, porque seria um reserva razoável para o Jean. Contudo, o que ficou provado é que o Jean, após ter sido convocado para a Seleção e sem um reserva a altura para competir com ele, ficou acomodado e não está jogando nada. Os comentaristas da Rádio Globo dizem que "é tão normal o Diguinho levar um cartão amarelo, quanto escovarmos os dentes após as refeições". Quantas vezes, o Diguinho roubou a bola (a única coisa que ele sabe fazer), errou o passe (proporcionando o contra-ataque do contra-ataque), parou a jogada fazendo falta próximo à grande área e levou o cartão amarelo. Pior, quantos gols levamos assim?
3) Reforços: Com exceção do Rhayner (que por sinal está um horror em campo), os reforços foram inúteis e prejudiciais ao Fluminense. Felipe foi dinheiro jogado no lixo e dado descarga. Wellington Silva foi um desastre. Corre muito, mas não acerta os cruzamentos e defende muito pior do que o Bruno.
4) Retornos do Tartá, Fernando Bob e Martinuccio: Sem Deco, Nem e Thiago Neves, o Tartá seria uma boa opção. Fernando Bob não teria vaga no time, porque joga na mesma posição do Fábio Braga. Fernando Bob joga tanto de primeiro como de segundo volante sem comprometer. Em 2010, aquela péssima atuação ocorreu porque o Murici o colocou como lateral esquerdo, quando deveria ter colocado o Marquinho. Do Martinuccio, já falei. 100x ele, do que o Wagner. Se era para emprestar alguém, que fosse o Wagner. Os três foram emprestados para dar lugar aos jogadores da base que não estão correspondendo e nem poderiam.
5) Renovação do DM e preparação física: o DM do  Fluminense é o pior do Brasil. Corremos o risco de quando o Fred voltar o Fluminense já estar rebaixado. Ou, quando ele voltar, o time pode já ter conseguido os 47 pontos. Enfim, o DM não recupera ninguém. O Valência está sem condições de jogo, há mais de um ano. O Marcos Jr. não conseguiu a metade da forma física do ano passado. Lembram do Araújo? Era reserva do Rafael Moura, que era reserva do Fred. Quando o Araújo entrava, jogava menos do que um tempo de jogo e saía lesionado. Foi para o Náutico e jogou o restante do campeonato como titular. Se o DM e preparação física do Náutico conseguiram manter o Araújo em condições de jogo, por que os do Fluminense não conseguem?
6) Abel perdeu o controle do time. Whiskey demais, Poker demais e treino de menos. No primeiro jogo da Libertadores, a comemoração foi feita virando a noite jogando Poker. Mesmo tendo treino regenerativo no dia seguinte e viagem de volta para jogar o Carioca no final de semana. Total irresponsabilidade. E o Poker com Whiskey no AP do Fred? Quando o Fred, TN e mais alguns estavam sem condições de jogo, reuniram-se na casa do Fred para assistir ao jogo, com birita e Poker. Álcool acelera o processo de recuperação de lesão? Só no Fluminense. Tudo que os jogadores faziam de errado, o Abel passava a mão na cabeça deles. Numa coisa ele teve razão: a troca de técnico deveria ter sido feita após a perda da Libertadores[3].

Sobrou olhar para o fundo da tabela e planejar como ficar fora do Z4.
ST

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