14 de dez. de 2013

O jogo da minha vida



    A última rodada do brasileiro não valia lá muita coisa pro Corinthians. Em nível de competição e posição na tabela, não valia nada. O adversário só queria fugir da marca de pior dos piores da era dos pontos corridos. O que marcou mesmo foi o fim de uma era vitoriosa. Duas, na verdade. A era Tite, a inesquecível titebilidade, as goleadas por 1x0, os empatites... Muitos corinthianos só entenderão o que foi o triênio 2011 - 2012 - 2013 daqui a muitos anos. O segundo técnico em quantidade de jogos e o primeiro em qualidade e quantidade de conquistas sempre será ídolo. Pois é. Temos um treinador ídolo. Reclamei muito dos erros que ele cometeu, sobretudo neste segundo semestre. Reclamaria tudo outra vez (reclamarei, pois ele vai voltar um dia). Reconheço e admiro demais tudo o que ele conquistou. Até logo, professor! Obrigada por tudo e volte em breve! A segunda é uma não menos importante, mas mais discreta aos olhos do torcedor. A era do sempre contestado, mas sempre regular Alessandro. Um jogador que chegou ao clube desacreditado e conquistou, ao lado do também inesquecível Chicão, a série B 2008, paulistas 2009 (invicto) e 2013, Copa do Brasil 2009, Brasileirão  2011, Libertadores (invicta) 2012, Mundial Fifa 2012 e Recopa 2013. Ganhou tudo e sempre representou com o manto. O tempo passa pra todo mundo. Ele não foi um Milton Santos (eterno), foi sempre um dos mais discretos e, por isso, mais contestados. Foi um líder dentro e fora de campo. Foi fantástico contra o Chelsea. Inesquecível. Lesionou o ombro por levantar tantos trofeis. Obrigada, Alessandro! Seja muito bem vindo ao outro lado do "ser Corinthians", a arquibancada (ou sofá).

   Fora estes fatos marcantes, o torcedor corinthiano tem muitos motivos pra comemorar o fim desse campeonato, tecnicamente fomos péssimos, partidas a atuações individuais a serem esquecidas. O jogo contra o lanterna Náutico foi nesse parâmetro. E o Ibson entrou pra completar... A derrota por 1x0 poderia facilmente ser evitada se os meias criassem, o ataque funcionasse, o Pato tivesse o mínimo de vontade pra jogar futebol.

   O primeiro (e enorme) parágrafo justificaria o título do texto, ao menos para Tite e Alessandro. Mas a verdade é que, apesar de tecnicamente ter sido pífio, esse foi o jogo da minha vida mesmo, não da deles.

   A primeira vez em estádio vendo o Corinthians, no meio da fiel, inesquecível! A lindíssima Arena Pernambuco ao entardecer encantador que só meu estado tem, deu um brilho ainda maior. Como fanática corinthiana que sou, tradicionalmente nada é fácil. Fui ao estádio contra a vontade de toda a minha família. Em condições normais, eles teriam medo que eu fosse esmagada ou pisoteada. Na situação em que me encontro (pé esquerdo machucado, impossibilidade temporária pra andar e em uso de cadeira de rodas), eles tinham certeza.

    Ao chegar, a boa surpresa: a arena tinha um serviço especial para auxiliar pessoas com dificuldades de deambulação. A péssima surpresa foi ao chegar ao portão R, reservado aos visitantes, percebi que não tem rampa para cadeirantes, que o local para pessoas com necessidades especiais era no anel inferior, mas nem eu nem os demais cadeirantes (3 no total) da torcida alvi-negra fomos relocados para lá. Aí achei que já era, não veria o jogo. Aí é que eu estava errada. Membros das organizadas do Corinthians, com toda a boa vontade e generosidade, nos levaram escadaria acima. Fizeram mais: colocaram-me na primeira fila, com visão privilegiada do campo e ainda retiraram as faixas que os identificam só para facilitar minha vida. Passaram o primeiro tempo inteiro reposicionando-as, com sorriso no rosto e cânticos incessantes. Fantástico!

    Estar lá era um sonho. Na minha momentânea situação, uma aventura. O placar desfavorável e o futebol mal jogado foram apenas detalhes. Tudo o que vi, a beleza da arena, o olhar de saudade do Alessandro, a emoção do Tite após entoarmos seu nome por longos minutos, a providencial solidariedade da torcida para comigo e para um idoso com amputação de perna direita e um menino com paralisia cerebral tornaram, sem dúvidas, um dos dias mais felizes da minha vida. Registros fotográficos do ocorrido até tenho, mas devido as mãos trêmulas de emoção desta que vos fala, ficaram embaçadas.


    Valeu, Corinthians! Valeu, Tite e Alessandro! Valeu, Fiel!

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