28 de set. de 2011

Os prós e contras do técnico da vez

Olhando pra trás na trajetória de Vágner Mancini como treinador é impossível deixar de notar em seu trabalho-padrão diversas curiosidades, preocupações e injustiças.

Sua formação como técnico? Ainda jogador de futebol, em 1999, o meia-atacante famoso no interior paulista se contundiu e assumiu o comando de um então sem técnico São Carlense. Fez um trabalho tão satisfatório que ficou por 10 jogos à frente da equipe. Cinco anos depois assumiu o Paulista de Jundiaí e o levou à conquista da Copa do Brasil - feito realmente notável. Daí, seguiu para os EAU para treinar o Al-Nasr (que, na década anterior, teve como técnico Joel Santana).

Porém, foi quando chegou ao Grêmio no final de 2007 que realmente começou sua carreira. E aqui já observamos uma certa preocupação. Tá certo que Mancini só ficou 6 jogos no comando do tricolor gaúcho e foi demitido INVICTO - isso mesmo: 4 vitórias e 2 empates. (Vale lembrar que Celso Roth assumiu esse mesmo time e, em 4 dias, sofreu 2 eliminações seguidas!)

Voltando ao assunto, eu disse "preocupação" pelo simples fato que, de lá pra cá, apesar de ter passado por Vitória, Santos, Vasco, Guarani e Ceará, nosso novo treinador acumulou um Campeonato Baiano e um Cearense. E só. Digo isso porque, mesmo estando longe de pleitear qualquer título até a metade do próximo semestre, o Cruzeiro é um time acostumado com eles. A torcida, então, nem se fala.

Outro ponto negativo do seu trabalho é a efemeridade. Tudo bem, o Brasil não é um país em que técnicos tem o emprego mais estável do planeta, mas Mancini tem uma média de menos de 6 meses de permanência em cada clube. Talvez isso seja devido à estagnação que marca uma continuidade de seu trabalho. Isso é fato:
  • No Vitória, conquistou o Baiano e teve um impressionante começo de Brasileirão; depois caiu vertiginosamente na tabela.
  • No Santos, revelou Neymar, ficou invicto por muito tempo no Paulistão e foi bem à frente na Copa do Brasil; depois o time decaiu.
  • Voltando ao Vitória, teve um meteórico começo de returno, perdeu 5 seguidas e acabou ficando só com a última vaga da Sulamericana.
  • Levou o Vasco à final da Taça Guanabara, perdeu pro Botafogo (em quem havia metido 6x0 no mesmo campeonato!) e fez um péssimo começo de Copa de Brasil.
  • Começou bem no Guarani, que ele conhece tão bem dos tempos de jogador, acabou rebaixando o time.
  • Venceu o Cearense pelo Ceará e foi demitido pela instabilidade do time, namorando o Z4 durante várias rodadas.
Dureza, hein. Bom, se você ainda está lendo este post e, como eu, acredita que o Cruzeiro não corre o risco de cair, lhe convido a, apesar de todos estes pesares, se juntar ao @Raposão em um voto de confiança a Vágner Mancini.

Repare que, na minha modesta análise acima, parti do princípio que ele seria o futuro técnico. Não é. É o "da vez". E como tal, se mantiver seu padrão, poucos técnicos no Brasil são melhores que ele pro Cruzeiro, agora. Se repetir os 6 jogos invicto no começo do Grêmio, se reanimar o time como fez com Vitória e Santos, se conseguir unir a equipe como fez no Vasco, realmente poderemos voltar a sonhar, com tranquilidade, com o bi-rebaixamento do lado rosa da lagoa, que é o que nos resta comemorar esse ano.

Ano que vem, a história é outra. Não tô dizendo que Mancini vai salvar o time e tchau. Mas a nova (ou a "nova") presidência tem que ficar atenta - e acho que o influente e "vivo" assistente Sylvinho possa ajudar muito nisso - ao ponto que mais marca seu trabalho e não titubear ao repreendê-lo ou, se for o caso, demití-lo.

Nenhum comentário: